Finalmente foram divulgadas as DFs de 2025 dos Correios.
SURPRESA!!!
Recorde de prejuízo, impressionantes R$ 8,5 bilhões!
Bora ver o que aconteceu, mas pra quem já cansou de ver resultado ruim, tem uma questão interessante nos números de dívida.

Começando pelo começo: a Receita segue caindo, com destaque para o segmento Internacional (-65,5%).
Se de 2023 para 2024 a queda foi de 12%, agora sim o efeito da “Taxa das Blusinhas” é bem visível no resultado.

A Receita Líquida total dos Correios caiu 11,9% de 2024 para 2025, sendo o 4o ano consecutivo de queda.
O problema: os custos não estão acompanhando essa trajetória.
O custo ficou praticamente estável mesmo com R$ 2,3 bi de queda de Receitas.
Resultado?
A margem bruta despencou para 4,3%.

O principal aumento de custos, mais uma vez, foi em Custos com Pessoal.
O aumento foi de 10% (a inflação foi de 4,26%).
A receita caiu R$ 2,25 bilhões e o custo com pessoal aumentou R$ 1,04 bilhão.

Fiz um resumo das principais despesas e variações.
Um ponto “positivo”: os patrocínios caíram de R$ 26,5 milhões para R$ 4,7 milhões.
Por outro lado, Indenizações SLA (ressarcimento concedido ao cliente quando há descumprimento dos prazos ou condições) aumentou 289% – R$ 34 milhões.
Despesas com pessoal aumentaram acima da inflação também (7,1%), e o vilão dos últimos tempos, Precatórios, aumentou em 119% (R$ 1,35 bilhão).
Isso leva a um prejuízo operacional em 2025 de R$ 2,5 bilhões.
Isso é um prejuízo OPERACIONAL superior ao prejuízo LÍQUIDO de 2024.
E para lembrar: NÃO, aqui NÃO TEM INVESTIMENTOS.

Depois, temos as receitas e despesas financeiras.
Destaques:
Juros e Multas: aumento de 117,6% (R$ 540 milhões).
Isso é esperado, já que a empresa está atrasando fornecedores, impostos e encargos a torto e a direito.
Encargos: R$ 243 milhões – isso é efeito da dívida que foi tomada em 2025, e sobre o que quero falar mais adiante.
Com isso, os Correios fecham 2025 com um prejuízo gigantesco de R$ 8,5 bilhões, e pior:
Sem sinais de reestruturação relevante.

ÚLTIMA COISA ANTES DE EU FALAR DA DÍVIDA.
Quem for olhar o DFC dos Correios (ninguém, a não ser eu) vai ver que a empresa gerou R$ 2,2 bilhões de caixa em “Salários e Encargos Sociais”.
Como isso é possível?
EIS A RESPOSTA!
Estão atrasando INSS.
De dez/2024 a dez/2025, a variação foi de R$ 1,7 bilhão.
Sim. Uma estatal atrasando o recolhimento de INSS.
Parabéns.

MAS E A TAL DA DÍVIDA?
Bora entender.
Em junho de 2025, os Correios tomaram uma dívida com um “sindicato de credores” no valor de R$ 1,8 bilhão.
A taxa variou devido a ajustes de contrato, chegando a uma taxa efetiva de cerca de 25,67% a.a.
O pagamento do principal iniciaria em jan/2026 e seria feito em 11 parcelas mensais.

A garantia era composta por “direitos creditórios de Empresas indicadas pelos Correios”.
Traduzindo: empresas que devem pagar aos Correios (clientes/parceiros) têm esses valores “cedidos” ao banco.
E o problema: Com as receitas caindo e a empresa com problema de geração de caixa operacional, essa garantia é frágil.
Menos vendas = menos créditos a receber.
Em dez/2025, os Correios assinaram o famoso contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões.
Taxa: CDI + 1,62% ao ano.
Prazo: 15 anos.
Garantia: a própria União.
Ou seja: o contribuinte entrou como fiador.

E aí, em jan/2026, os Correios quitaram aquele empréstimo de R$ 1,8 bi antecipadamente.
Isso significa 2 coisas:
1) Troca de uma dívida mais cara por uma dívida mais barata.
2) Os bancos que tinham um contrato com garantia frágil saem da operação e os novos credores entram contando com a garantia mais forte possível: o Tesouro.
“TÁ MAS E AÍ?”
E aí que essa história tem dois lados.
Financeiramente, a operação tem sim seu lado positivo.
Alongar dívida é padrão em gestão de passivo financeiro.
Trocar dívida cara por dívida mais barata é obviamente positivo.
O outro lado vai além da socialização do risco, e envolve priorização do que devia ter sido pago.
Uma escolha era fazer exatamente o que foi feito.
Outra possibilidade seria reduzir o passivo de INSS, que terminou o ano em R$ 1,8 bi.
Sendo justo:
Parte disso pode já estar com parcelamento ativo, mas a Nota Explicativa não fala.
Pode ser que parte disso tenha sido regularizado em 2026, mas a Nota Explicativa também não menciona isso.
Como isso foi mencionado no caso do empréstimo de R$ 1,8 bi, imagino que teriam também mencionado a regularização do passivo de INSS.
Até agora, temos o seguinte quadro:
Trabalhadores dos Correios: INSS atrasado, incerto quando será regularizado
Bancos privados (“Sindicato de Credores”): receberam 100%, saíram limpos em jan/2026
Contribuinte: entrou como fiador de R$ 12 bi de uma empresa com R$ 8,5 bi de prejuízo em 2025 e R$ 12,3 bi de prejuízo nos últimos 4 anos.
Sem os R$ 12 bi de empréstimo, o caminho seria colapso de caixa, mas o problema é estrutural e não foi apresentado plano crível para resolver.
A receita está caindo, os custos estão se mantendo em um patamar alto e as despesas estão subindo.
Os R$ 12 bilhões compraram tempo, mas dinheiro novo sem mudança evapora rápido.
