Correios – Possível empréstimo BB, Caixa e Bancos Privados

Saiu há pouco notícia que o governo está articulando um empréstimo para socorrer a ECT – Correios.

Segundo a matéria, a operação teria participação de Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e bancos privados.

Não é segredo para ninguém que os Correios têm enfrentado uma situação complicada (para dizer o mínimo) de caixa e resultados nos últimos anos.

Como já postei aqui várias vezes, é um conjunto de fatores:

Aumento expressivo de despesas e queda de receitas, acentuada pela “taxa das blusinhas“.

A matéria diz que a empresa precisa de R$ 10 bilhões em 2025 e mais R$ 10 bilhões em 2026.

Vamos lembrar que a ECT – Correios vinha atrasando pagamentos, inclusive de benefícios a empregados e encargos, além de fornecedores.

Além disso, boa parte da dívida que foi captada este ano tem vencimento em 2026 – o que explica parte da necessidade de caixa para o ano que vem.

Segundo a reportagem, parte do recurso seria usado para capital de giro (ou seja, pagar fornecedores, salários e manter a operação funcionando), e parte seria usada para a própria reestruturação – PDV, mudanças no plano de saúde e renegociação de passivos.

Este empréstimo em negociação seria garantido pelo Tesouro Nacional, mas “a realização de um aporte complementar de recursos pelo Tesouro Nacional não será descartada”.

Além de garantia, ainda é capaz de ter aporte direto para socorrer a empresa.

O problema é que o governo não está exatamente em situação de sair gastando.

Aparentemente, entre os bancos interessados na operação estão BTG Pactual, Citibank e ABC Brasil, que já fazem são credores na operação captada em junho (R$ 1,8 bilhão).

Vamos lembrar:

Essa dívida foi captada a CDI + 3% ao ano, com vencimento em 12 meses. Prazo curto.

Segundo a reportagem, a situação dessa dívida, que já não era boa, complicou.

Entre as covenants que a ECT – Correios assinou com os bancos, havia gatilho para cobrança antecipada em caso de eventos com impacto jurídico.

O aumento do custo com sentenças judiciais acionou a cláusula (lembram dos valores reconhecidos em despesas?), e os bancos chegaram a reter valores.

A empresa renegociou, mas como sempre nesses casos, a condições piores.

Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos.

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